domingo, 5 de março de 2017

A esperança em nós


Já não fotografava há muito tempo e a verdade é só uma: faz-me falta, como o ar para respirar. Não importa bem o que fotografo, desde que o faça. Gosto de voltar, ainda que — mas espero que não — seja breve. Não há meninas bonitas, deste vez, mas estou eu e autorretratos é algo que sempre me cativou e tenho descurado. Portanto, para um regresso, nada melhor do que visitar as origens — iniciei-me muito no autorretrato.
A fotografia e a música sempre foram uma maneira de me exprimir e abstrair do mundo — saltar para outro, quiçá — mas vou focar-me na fotografia aqui. Sempre foi um dos meus refúgios e esta não é excepção. Ontem, saí para fotografar, sem saber o que queria fazer e apenas com a certeza de que queria disparar. Acabei por me deixar levar pelos sentimentos e o resultado — um deles, pelo menos — foi a peça que apresento abaixo. Ao contrário das publicações anteriores, em que deixo que cada um interprete à sua maneira, vou apresentar a minha motivação.
Não sei bem quanto a vocês, mas eu sempre gostei de ver o antes e o depois de tudo. Onde quer que haja um "descubra as diferenças," eu quero estar lá! Por isso, apresento esta peça neste formato, para que possam ver que há sempre algo mais escondido que os nossos olhos não vêem, ainda que seja só na nossa imaginação. Como pode sugerir o título "a esperança em nós," esta imagem pretende mostrar que há sempre uma luz algures, à espera de ser encontrada. Quando tudo parece negro e a vontade é desistir, serve para nos lembrar que haverá sempre um ponto de fuga a aguardar por nós, muitas vezes nos lugares mais improváveis. Seja uma luz escondida no chapéu, seja outra coisa qualquer, haverá sempre uma saída e eu espero que encontrem sempre a vossa, tal como eu tenho encontrado a minha. Muitas das vezes, ela está dentro de nós.